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sábado, 5 de maio de 2012

     

     Inicio as metáforas transcorrendo as palavras numa caravela sufocada. De mar? Não. Pela saudade do mar que transporta e inunda de sentimentos. Sim, eu começo escrevendo aquilo que não sinto, mas o pirata de ouro e prata, Hopeixe feito de sal, ameaçou-me de expulsão da embarcação empoleirada de meus submundos, caso eu continuasse a afastar a água que lava e leva a outros continentes. Fui obrigada a ceder e receber a lava de sorrisos azuis interpretados por torrados olhos vermelhos. Temi não conseguir tal atuação, mas do mesmo modo que o mar assusta-nos com seus pesadelos repentinos, minha alma vendada foi encontrada pelo surto desgravitacional de uma cachoeira. Sem sentir, terminei-me sentindo.

Texto: Fernanda Curcio
Arte: René Magritte, a vitória.