sábado, 5 de maio de 2012

     

     Inicio as metáforas transcorrendo as palavras numa caravela sufocada. De mar? Não. Pela saudade do mar que transporta e inunda de sentimentos. Sim, eu começo escrevendo aquilo que não sinto, mas o pirata de ouro e prata, Hopeixe feito de sal, ameaçou-me de expulsão da embarcação empoleirada de meus submundos, caso eu continuasse a afastar a água que lava e leva a outros continentes. Fui obrigada a ceder e receber a lava de sorrisos azuis interpretados por torrados olhos vermelhos. Temi não conseguir tal atuação, mas do mesmo modo que o mar assusta-nos com seus pesadelos repentinos, minha alma vendada foi encontrada pelo surto desgravitacional de uma cachoeira. Sem sentir, terminei-me sentindo.

Texto: Fernanda Curcio
Arte: René Magritte, a vitória.

12 comentários:

Marcelo R. Rezende disse...

Quando achamos que estamos saindo, entramos.

ASAS disse...

Coisa linda de versos,intensidade pura, perfeitos. parabéns.

PauloSilva disse...

Mais vale que sentir, que pensar e explicar...

Anônimo disse...

Pela saudade do mar que transporta e inunda de sentimentos. = li e reli. é como um favo de mel nos labios. delicioso o texto. obrigado. abraços lamarque

Ale disse...

Aqui fiquei, com mais saudades do mar....

Patrícia Vicensotti disse...

Escreves com profundidade.
Feito mar...

Beijos,Fernanda!

Leo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
rejane disse...

palavras memoráveis "Sem sentir, terminei-me sentindo" adorei!
é eu também adoro aquele poema!

Ana Martins disse...

Magnifico, nem me atrevo a comentar sob pena de beliscar tão maravilhoso e intenso texto.

Beijinho,
Ana Martins

Liza Leal disse...

Profundo cm os segredos do Mar!..

=)
lindo dia!
bjo

Tati Lemos disse...

Oi querida, mas a vida é assim, sentindo sem sentir, e quando nos demos por conta, sentimos tudo em uma mesma hora.

Beijo

Juliana Skwara disse...

Que texto mais incrível *_*, amei!!! Estive um tempo afastada, mil coisas acontecendo, mas estou de volta! Volte sempre, grandes beijos <3