Cerro os olhos em estado de prece, desvelando as cavidades fustigadas do meu coração recitado nos breviários delirantes, cúmplices regalados por suspiros libertários, desjaulados da superfície borbulhante e inchada no portal da segunda pele, terreno baldio dos inquilinos desconhecidos e camuflados no disfarce ilusionário de ser gente.
Cientifico a leveza de poder voar, sem o peso ancorado nos mares profanos, descosturando as asas siamesas enredadas aos baús enterrados tantas vezes, ciclicamente decalcados no engenho asno e duvidoso da memória enfeitiçada. Mas eis que descubro a física, bruxa celta guardiã dos segredos perdidos, ancestral de si e também da esquecida, da vencida massa cinza manchada nas rezas negras, desmascarada no estouro radioativo dos prantos feridos tubulados antes, no ocultismo bagageiro das falácias ritualizadas no seio.
Selo o pacto com a deusa metafísica, além da órbita do meu zoom modernizado, e gravito contornada pelo nada galardoado à serva desaparecida.Em troca oferto com gratidão o que restou da minha energia, sendo na poeira estelar do mundo uma vida mais que viva, defuntada apenas nos míseros pensamentos da constância. Eu só sou quando deixei de ser.
Cientifico a leveza de poder voar, sem o peso ancorado nos mares profanos, descosturando as asas siamesas enredadas aos baús enterrados tantas vezes, ciclicamente decalcados no engenho asno e duvidoso da memória enfeitiçada. Mas eis que descubro a física, bruxa celta guardiã dos segredos perdidos, ancestral de si e também da esquecida, da vencida massa cinza manchada nas rezas negras, desmascarada no estouro radioativo dos prantos feridos tubulados antes, no ocultismo bagageiro das falácias ritualizadas no seio.
Selo o pacto com a deusa metafísica, além da órbita do meu zoom modernizado, e gravito contornada pelo nada galardoado à serva desaparecida.Em troca oferto com gratidão o que restou da minha energia, sendo na poeira estelar do mundo uma vida mais que viva, defuntada apenas nos míseros pensamentos da constância. Eu só sou quando deixei de ser.
Texto: Fernanda Curcio.
Arte: René Magritte
7 comentários:
O texto acima eleva-nos à eternidade, lugar onde reside a perfeição do nada.Como tudo que existe é rachado por uma camada imperfeita, logo, eu só sou quando deixei de ser.Alio metáfora, física e metafísica neste conto desconstrutivo, mostrando que na inexistência há uma partícula de todos nós a qual circula pelo mundo, condensando-se ao intangível.É neste instante que ocorre o amolecimento da modelagem, um processo reconstrutivo nascido do invisível.Um ser sem ser.
Hoje está sendo um dia que,te confesso,não gostaria de ser...
Volto num dia melhor.
Um beijo,Fernanda,e obrigada por sua gentil visita.
Fantástica profundidade de pensamentos.
Ser e não ser. Ser ou não ser. Tudo, ou nada. E que os ventos da intensidade e da criatividade tragam mais sementes de brilhantismo e profundidade!
Parabéns pelos escritos.
Fascinante o uso que você faz das palavras. Belas palavras que vão desenhando com perfeição o tema escolhido.
Fico pasmada de admiração,
parabéns, Fernanda!
Eu estou tão feliz, por saber que algém de tanto talento na escrita me elogiou. Você tem uma soltura incrível, eu adorei.
Escreve com maestria, inteligência e perspicácia invejáveis.
Talento nato, texto muito profundo, filosófico!
Grande abraço e sucesso!
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