Em meio ao cancro ela recolhe mansuetudes e canoniza deuses pérfidos na tentativa de soterrar-lhes a maldade na roldana do tempo. Quando existia a perfeição antes do nascimento forjado de ilusão. A rotação carbonizou a transparência; e o jejum, centelha santificada de essência, foi roubado pelo léxico do abandono. Da fome. Mesmo assim ela transveste-se de esperança e filtra no seu profundo o álibi amordaçado pela descrença armada. Por isso, ela mantém os seus deuses mortos, para que eles não consigam aprender a arte retórica de remendar os rasgos da alma. Os deuses não são. E assim, acabam sendo. Enquanto ela tem que ser mesmo não contendo.
Texto: Fernanda Curcio.
Arte: Leonardo Macedo.

12 comentários:
Perfeito.
Um texto narrando a arte.
Muito lindo!
Beijos!!
Muitas vezes as palavras ultrapassam a necessidade dos significados:
são lindas como uma pintura abstrata. Nascem para emocionar.
Vejo isso aqui!
Beijos.
Lindo, Fernanda. Você e o Léo sempre numa harmonia bonita de se ver e ler.
Beijos nos dois.
Linda arte, lindo texto.
"Por isso, ela mantém os seus deuses mortos, para que eles não consigam aprender a arte retórica de remendar os rasgos da alma."
Beijo querida, lindo domingo.
E mesmo o vazio está cheio. Até o silêncio fala. E o coração, mesmo quieto, sofre.
Um grande obrigado pelas palavras no meu blogue.
Estou impressionado. Parabéns!
Oi Fernanda
Seu texto e a arte do Leo traduzem-se
A esperança é capaz de tudo, até de remendar a alma.
Beijos
que parceria bela... texto e arte... a doce hamonia da vida. parabens pelo espaço. grande abraço lamarque
Lindo verso e arte.Um complementa o outro.
Beijossss
Tô com o Leo: "Tuas palavras são uma pintura para mim".
Lindos sempre teus escritos, Fernanda! E que bela arte de amor.
Beijo em você ;*
Eu fiquei com ciumes do seu blog agora. A única coisa que veio na minha cabeça foi esta frase do Machado de Assis: "tu és absurda, tu és uma fábula." ♥
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