segunda-feira, 8 de outubro de 2012



     Em meio ao cancro ela recolhe mansuetudes e canoniza deuses pérfidos na tentativa de soterrar-lhes a maldade na roldana do tempo. Quando existia a perfeição antes do nascimento forjado de ilusão. A rotação carbonizou a transparência; e o jejum, centelha santificada de essência, foi roubado pelo léxico do abandono. Da fome. Mesmo assim ela transveste-se de esperança e filtra no seu profundo o álibi amordaçado pela descrença armada. Por isso, ela mantém os seus deuses mortos, para que eles não consigam aprender a arte retórica de remendar os rasgos da alma. Os deuses não são. E assim, acabam sendo. Enquanto ela tem que ser mesmo não contendo.



Texto: Fernanda Curcio.
Arte: Leonardo Macedo.

12 comentários:

Patrícia Vicensotti disse...

Perfeito.
Um texto narrando a arte.
Muito lindo!

Beijos!!

Be Lins disse...

Muitas vezes as palavras ultrapassam a necessidade dos significados:

são lindas como uma pintura abstrata. Nascem para emocionar.

Vejo isso aqui!

Beijos.

Nara Sales disse...

Lindo, Fernanda. Você e o Léo sempre numa harmonia bonita de se ver e ler.

Beijos nos dois.

Tati Lemos disse...

Linda arte, lindo texto.

"Por isso, ela mantém os seus deuses mortos, para que eles não consigam aprender a arte retórica de remendar os rasgos da alma."

Beijo querida, lindo domingo.

PauloSilva disse...

E mesmo o vazio está cheio. Até o silêncio fala. E o coração, mesmo quieto, sofre.
Um grande obrigado pelas palavras no meu blogue.

Leonardo Batista disse...

Estou impressionado. Parabéns!

Leo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Oi Fernanda

Seu texto e a arte do Leo traduzem-se

A esperança é capaz de tudo, até de remendar a alma.

Beijos

Lamarque disse...

que parceria bela... texto e arte... a doce hamonia da vida. parabens pelo espaço. grande abraço lamarque

Flor de Lótus disse...

Lindo verso e arte.Um complementa o outro.
Beijossss

Déborah Arruda. disse...

Tô com o Leo: "Tuas palavras são uma pintura para mim".
Lindos sempre teus escritos, Fernanda! E que bela arte de amor.
Beijo em você ;*

Cher disse...

Eu fiquei com ciumes do seu blog agora. A única coisa que veio na minha cabeça foi esta frase do Machado de Assis: "tu és absurda, tu és uma fábula." ♥