quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012



 - Minhas asas cantam para você neste momento, num ritmo tão denso e longo, que sua cor púrpura se desbota na forma transparente da água. Tenho asas que só você enxerga! Meu bem. Asas que você pintou em meio ao noturno, pois, teve a coragem de buscar meu beijo num abismo onde não existem nem asas nem sóis. Quero-te muito, e voando levo o meu beijo com o gosto dos campos por onde pousei. - Sussurrou a borboleta arfante, deixando nos lábios entreabertos do artista de pinceis mágicos, o sopro do amor que existia antes de existir, antes mesmo do mundo e do vento, condutor das asas da borboleta, que como um marinheiro habitante das águas profundas, afunda desmemoriado, nos braços do barco à vela, que vela pelo sono do seu amor.

 - Meu bem, as asas que vejo estavam disfarçadas em forma de sorrisos.  Eu sei que 'a luz aflora onde nenhum sol brilha' e por isso habito os lugares mais recônditos.  Beijo-te com querer e dos campos por onde pousaste sinto-os carregados de ternura. - Disse o príncipe das cores, criador de vidas imaginadas pelo seu olhar sonhador, deus bondoso que apagou da tela barroca o cárcere enferrujado da menina feia que nem ao menos sabia andar. Em vez de ensinar-lhe a andar, deu-lhe sonhos vivos, que as grades do casulo ranzinza nunca irão poder roubar.

Texto: Fernanda Curcio e Leonardo Macedo.
Arte: Georges Braque. Dois pássaros no azul.

20 comentários:

Fernanda disse...

Georges Braque fundou o Cubismo, juntamente com Picasso, com quem foi amigo intimo.

Anônimo disse...

Quanta beleza em forma de palavras. Existem pessoas que, de fato, possuem o dom de tocar fundo a emoção. Beijos!

Anônimo disse...

ensina-nos a voar através de seus versos. muito lindo, terno e avesso. gostei de mais - abraços lamarque

PauloSilva disse...

Absolutamente belo este texto, tão leve e tão intenso. Borboleta de asas tingidas de amor e sonhos. Que lindo, fantástico, soberbo. Um abraço.

Ale disse...

Humildemente eu confesso: que saudades eu estou sentindo, das minhas asas,

Aleatoriamente disse...

Muito bem tecido esse texto.
Lindo queridos.

Beijokas.

Fernanda Ferreira - Ná disse...

Quanta beleza e doçura, sobretudo no primeiro parágrafo.

Também espero encontrar as minhas asas para voar de novo.

Beijo

Ana Martins disse...

Fernanda, boa noite!
Pousei aqui, pela mão da Ná e, maravilhei-me com a beleza e leveza deste texto.

"Minhas asas cantam para você neste momento, num ritmo tão denso e longo, que sua cor púrpura se desbota na forma transparente da água..." Belíssimo, grande sensibilidade e veia poética, parabéns!

Beijinho,
Ana Martins

Anônimo disse...

Um belo texto poético.

Bela escolha e boa partilha.

Beijo

Evandro L. Mezadri disse...

Belo texto, muito poético.
Grande abraço e sucesso!

Rô disse...

boa semana pra vc!!! beijooos

Vivian disse...

Olá!!

Quanta profundidade!Um texto lindo, que emociona.O dom do artista é incrível, é realmente mágico, pois enche de sonhos,de cor ,de vida o que as vezes é triste e cinza.
E tudo ganha um novo sentido.
Beijos!!!!

Leo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lunna disse...

Que belo, suave, tocante.
Beijos

Denise Portes disse...

Lindooooo, muito lindo mesmo esse texto.
Um beijo
Denise

Be Lins disse...

Belissima parceria, Fernanda e Leonardo,
O blog está cativante, estou encantada.

Deixo um beijo enorme pra vocês.

Be

Déborah Arruda. disse...

Gente que coisa mais linda! Na verdade esse espaço aqui é todo recheado disso. Que legal isso de misturar arte, em todos os sentidos. Gostei muito da junção dessa dupla. Já conhecia a sensibilidade do Leonardo pela blogosfera, e vejo que junto de você, Fernanda, ficou perfeito! Parabéns, e estarei por aqui sempre que possível.
Obrigada pela visita e comentário. Bom final de semana.

Anônimo disse...

Linda declaração de amor poética, delicada, encantadora!

O amor dá asas!

Beijos, Fernanda

Yohana Sanfer disse...

Lindo viu?! Poesia solta...aobrigada pela visita e pela bela leitura que tive aqui! bjs

Nara Sales disse...

Vocês são lindos demais! Suspirei e sorri enquanto lia esse querer mútuo que é tão mágico de ser ver, ler e sentir.