O inimigo espuma pela boca, gargalhando da fragilidade delicada do Amor deslumbrado. Olho impaciente para a criança desatenta, tentando avisá-la do perigo semeado pela discórdia da minha alma queimada no incêndio florestal. A criatura regada por mim através dos lençóis encharcados está prestes a cravar os caninos fermentados, iniciando um massacre de vermelho derretido, fugaz na perspicácia do açougueiro, que sagaz, bebe até a última gota da carnificina amolecida numa única mordida. Só não se esqueça, aborto nascido, de saciar-se depois comigo, começando pelos olhos que te fecundaram, e pelo ventre infértil que você habitou, pois que sem alma e sem amor, minha matéria é apenas enfeite perambulando robotizada nas calçadas alheias, esmolando um pouco de vida, ou quem sabe, um sopro consolado de morte.
Texto: Fernanda Curcio
Arte: Max Klinger
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