sábado, 11 de agosto de 2012


Copos torpemente se partiram
sortidos no chão abissal.

Varreram-se com esmero os co(r)pos
da frente dos olhos mortos.

Enterraram-se os cacos desejosos da sede
que a respiração mortiça não poderia oferecer.

A indústria falsificou o arco-íris
e pôs a réplica na superfície oca do rótulo.

Um aglomerado de ossos: O nascimento do homem.
O velório iminente do verso.

- Um brinde ao verbo!!

Poema: Fernanda Curcio.
Arte: Frida Kahlo, Meu Nascimento, 1932.

7 comentários:

Déborah Arruda. disse...

Um brinde, seja o verbo qual for!
Você é fora do comum, Fernanda.
Bom final de semana :)

Fernanda disse...

O poema critica a natureza do homem em industrializar todas as coisas, inclusive os sentimentos.O nascimento do homem significa a perdição do verso, pois este só é alcançável no mundo inteligível, indiferente ao pensamento maquinista do ser humano.Eis o verbo.O qual não tem sede, antagônico ao verso.Inverso à alma.Um cabide para ternos...

PauloSilva disse...

Maravilhosos versos, profundos e intensos! Brindemos de vinho, profundo vermelho que com água transparente ninguém brinda!

Lunna disse...

A imagem foi bem chocante.

Beijos.

Leo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Evandro L. Mezadri disse...

Obra e imagem se completam perfeitamente.
Você foge do lugar comum, bela poetisa!
Grande abraço e sucesso!

Ale disse...

Mto interessante