terça-feira, 31 de janeiro de 2012


Reconstruí o meu corpo desparafusado e surrupiei as asas dum cisne petrificado. 
Será que o invento ressuscitador sobreviverá sem o meu coração liquidificado? 
Deveria ter transplantado também o coração da ave ressequida, agora disputado pelas sombras rastejantes. Desejo pelo menos, numa réstia de esperança, uma nuvem acinzentada prestes a explodir, com muitas lágrimas para eu poder roubar.

Texto: Fernanda Curcio
Arte: Thayer Abbott. Angel,  1890.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012


Cansada de ser vértice enferrujada de joelhos dessossados, hipnotizo a guilhotina fatiadora, mãe das ânsias horizontais, a retumbar com a lâmina lacrada a face desencantada que se desiludiu de mim. 

Texto: Fernanda Curcio
Arte: Edward Hopper. 11 am, 1926.